DS | Uniforme de trabalho, tipo n.º 2 (anos 60 do séc. XX)


Numa semana marcada por condições climatéricas adversas, mostramos, em termos iconográficos, o uniforme de trabalho, tipo n.º 2, outrora utilizado pelos elementos dos corpos de bombeiros, nomeadamente, nas inundações, conforme previsto no Regulamento dos Corpos de Bombeiros - Decreto N.º 38 439, publicado no “Diário do Governo” N.º 198, I Série, de 27 de Setembro de 1951 e Portaria N.º 18 031, de 31 de Outubro de 1960:

- Camisa de trabalho de cor cinzenta e calça de cotim, bota ou botim preto, cinturão de argolas, machado com pala e capacete, tendo como abafo o casaco de cabedal ou oleado, ou ainda o blusão de fazenda azul.

Chamamos a atenção para as duas imagens que reproduzimos, a segunda das quais não identificada e que apresenta, também, o tipo de material auxiliar empregue  em situações de queda de árvores e de pequenas estruturas, além de aluimentos e escoamento de águas pluviais.



Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

DS | Manual de manobras e instruções do carro portuense para socorros a náufragos (princípios do século XX)


Em período de forte tempestade marítima ao longo de toda a costa portuguesa, recordamos uma raridade bibliográfica ajustada à ocasião, que supomos datar dos princípios do século XX: o manual de manobras e instruções do carro portuense para socorros a náufragos, da autoria de José de Brito, 1.º Patrão do Estado Maior dos Bombeiros Voluntários do Porto e Sócio Honorário do Instituto de Socorros a Náufragos.

Além da reprodução da respectiva capa, que compreende uma interessante gravura temática, apresentamos duas não menos elucidativas imagens que documentam aspectos distintos do mencionado carro, assim descrito pelo autor:

"Construído e baseado no antigo modelo de carros para incêndios, do meu saudoso instrutor Guilherme Gomes Fernandes, conduz este carro todo o material necessário para o fim a que se destina, sendo o pessoal constituído por um piquete de seis bombeiros e um cocheiro.

Todo o material está colocado no carro, em condições de se retirar para qualquer das manobras isoladamente, tendo as rodas 2 aros próprios a poder seguir sobre areia ou estrada."



Muito completo para a época, o manual contempla diferentes ensinamentos técnicos acerca de manobras, sinais e cuidados médicos, estes da responsabilidade do Dr. Pedro Vitorino Ribeiro, Chefe Adjunto Médico da Corporação dos Bombeiros Voluntários do Porto, que assina uma parte intitulada "Breves instruções para socorro em caso de morte aparente".

Recorde-se que a acção dos bombeiros portugueses neste domínio teve o seu início em 1870, antecedendo a criação do Real Instituto de Socorros a Náufragos, fundado a 21 de Abril de 1882. A partir desta data desenvolveu -se uma nova realidade, em estreita cooperação com o referido instituto que, entretanto, passou a garantir a distribuição de material pelos corpos de bombeiros, nomeadamente cabos de vaivém. Já no século XX e em razão da prontidão sempre revelada, a participação dos bombeiros alargou-se a outras áreas, envolvendo o apoio e o reforço da vigilância nas praias, bem como nos rios, nas barragens e nas albufeiras. Nesta conformidade, o aumento da responsabilidade no socorro deu origem a novas exigências, sobretudo, ao nível da formação, a qual se tornou mais intensa e assumiu, a partir de dado momento, o carácter de vertente especializada.


Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

DS | As Boas Festas dos Bombeiros Humanitários de Bissau (anos 70 do séc. XX)


Natal e Ano Novo são temas que inspirarão, no mês de Dezembro, a selecção dos nossos documentos semanais.

Nesta oportunidade reproduzimos um curioso cartão de Boas Festas dos Bombeiros Humanitários de Bissau, herdeiros dos Bombeiros Voluntários de Bissau (BVB), da antiga Guiné Portuguesa.

Desconhece-se a data do mesmo, embora tudo faça supor, nomeadamente pelos seus termos, que se reporte aos primeiros anos do reconhecimento da independência do território (10 de Setembro de 1974).

A propósito, e para melhor identificação com a existência dos antigos BVB, publicamos duas imagens referentes a outras tantas perspectivas do seu quartel-sede, inaugurado a 28 de Maio de 1960.



Considerados Instituição de Utilidade Pública, os Bombeiros Voluntários de Bissau tiveram origem na década de 30, em consequência de um incêndio deflagrado num estabelecimento comercial. Pese embora várias tentativas de organização, a sua existência não foi suficientemente bafejada pela sorte, tendo vida efémera. Vieram a ser reactivados em 1951, num contexto de maior dinâmica, contando para o efeito com o apoio do Governo da Província, que não só procedeu à cedência de viaturas usadas como subsidiou as respectivas reparações. De igual modo contribuiu para a construção das instalações já citadas.

Os BVB, que no período da sua reactivação adoptaram um modelo de estatutos datado de 1936, mantiveram-se em actividade sob tal denominação e inspirados na orgânica funcional dos bombeiros portugueses, até à independência.

Detinham o título de Membro Honorário da Ordem de Benemerência.

Actualmente os bombeiros guineenses integram a União dos Bombeiros dos Países de Língua Portuguesa, fundada a 11 de Outubro de 2007, mediante o forte impulso da Liga dos Bombeiros Portugueses.


Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

DS | Comandante José Brás, dos BV de Almada (1982)


No ano do Centenário dos Bombeiros Voluntários de Almada, completado a 26 de Agosto último, recordamos o emblemático Comandante José Brás, reproduzindo para o efeito uma fotografia captada durante o 25.º Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses, reunido na Figueira da Foz, de 6 a 10 de Outubro de 1982, onde foi o Comandante-em-Chefe do respectivo desfile de encerramento.

Entre outros factos marcantes da sua carreira de bombeiro, no âmbito da qual se revelou sempre incondicional apoiante da Liga dos Bombeiros (LBP), ficou particularmente célebre a atitude assumida quando da aprovação unânime da criação do Serviço Nacional de Bombeiros, pela Assembleia da República, em 8 de Fevereiro de 1979.

"(...) o veterano das muitas centenas de bombeiros presentes nas galerias, Comandante José Brás (dos B.V. de Almada), gritou: «Bombeiros de Portugal, sentido!» E todos, à uma, contrariando o Regimento da Assembleia, se ergueram em continência prolongada sob a compreensiva complacência da Mesa da Câmara" - regista o vulgaramente designado "Livro Branco" da LBP.


Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista